Baraúna 40 anos: Marcenaria Baraúna, São Paulo, Brasil
Criar móveis que resistam ao tempo, seja por sua qualidade de elaboração, seja por seu desenho que não envelhece. Este é o objetivo da Marcenaria Baraúna, criada em 1986 em São Paulo.
Criar móveis que resistam ao tempo, seja por sua qualidade de elaboração, seja por seu desenho que não envelhece. Este é o objetivo da Marcenaria Baraúna, criada em 1986 em São Paulo.
Numa época em que a obsolescência programada dos produtos torna-se imperativo, a Baraúna caminha na contra-corrente e oferece móveis sólidos, resistentes, que podem ser legados de pais para filhos. Eles usam apenas madeiras maciças e compensado naval, com acabamentos que deixam à mostra todos os veios e toda a diversidade desta matéria-prima.
Numa época em que tantos olhares estão voltados para as "tendências internacionais" e para as modas, a Baraúna busca sua matriz na cultura popular brasileira, sem folclorizá-la ou congelá-la no tempo, mas num diálogo entre universal e particular, entre passado e presente, que resulta num design contemporâneo, baseado na simplicidade formal. A construção dos móveis é sempre explícita, sem trucagens, dissimulações ou acréscimos decorativos.
De início a marcenaria funcionou como extensão do escritório Brasil Arquitetura, mantido pelos arquitetos Francisco de Paiva Fanucci, Marcelo Carvalho Ferraz e Marcelo Suzuki, produzindo móveis não apenas de sua autoria, mas também de Lina Bo Bardi, com quem Ferraz e Suzuki trabalharam.
Com o tempo, começou a adquirir personalidade própria e reconhecimento. Seus móveis foram escolhidos para compor a loja do Museu de Arte de São Paulo (MASP), mereceram exposição individual no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo; e reportagens em revistas especializadas nacionais e internacionais.*
*Texto publicado em 1986 no primeiro catálogo da Marcenaria Baraúna
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Edições especiais BaraúnaCadeira Girafa em Grumixama, 2025L 37 x A 79 x P 44 cmR$ 6,000.00 -
Edições especiais BaraúnaCadeira Girafa em ImbuiaL 44 x A 79 x P 39 cmSold -
Edições especiais BaraúnaCadeira Girafa em Ipê, 2026L 37 x A 79 x P 44 cmEdição de 6 -
Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo SuzukiCadeira Girafa, 1986L 37 x A 79 x P 44 cm
Assento: 48 cm
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Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo SuzukiCadeira Girafa Carbonizada, 1986 / 2021L 39 x A 79 x P 44 cmR$ 3,563.00 -
Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo SuzukiCadeira Frei Egidio, 1987L 36 x A 84 x P 49 cm (Aberta)
L 36 x A 94 x P 5 cm (Fechada)
Assento: 48 cm -
Francisco FanucciCadeira Filó sem braço, 2001L 42 x A 81 x P 56 cm
Assento: 45 cmR$ 4,448.00 -
Francisco FanucciPoltrona Filó, 2001L 56 x A 81 x P 56 cm
Assento: 40 cm
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Francisco FanucciChaise Longue Filó, 2010L 48 x A 74 x P 155 cmR$ 10,328.00 -
Francisco FanucciCadeira Filó sem braço estofada, 2001L 42 x A 81 x P 56
Assento: 45 cm -
Francisco FanucciBanqueta Filó, 2001L 36 x A 85 ou 99 x P 48 cm
Assentos: 62 ou 76 cmR$ 5,018.00 -
Marcelo FerrazCadeira Maria, 2015L 40 x A 75 x P 49 cm
Assento: 45 cmR$ 2,788.00
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Marcelo FerrazPoltrona Maria, 2015L 50 x A 65 x P 50 cm
Assento: 42 cmR$ 7,428.00 -
Marcelo SuzukiCadeira Borboleta, 1993L 45 x A 90 x P 47 cm
Assento: 47 cmR$ 6,498.00 -
Marcelo FerrazCadeira Shibui , 2006L 42 x A 76 x P 49 cm
Assento: 48 cm -
Marcelo SuzukiCadeira Brava, 1991
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Marcelo FerrazCadeira Isa d'Après Siza, 2017L 46 x A 76 x P 41 cm -
Marcelo SuzukiPoltrona Japão, 1992 -
Marcelo FerrazBanco Light, 1987L 124 x A 76 x P 40 cm
Assento: 45 cm -
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Marcelo SuzukiPlano H40, 1990L 200 x A 40 x P 60 cm
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Marcelo FerrazBanco Jaguatirica, 2006L 160 x A 50 x P 40 cm
Assento: 45 cmR$ 11,468.00 -
Claudio CorrêaAparador Caiçara, 2007Dimensões variáveis -
Claudio CorrêaAparador Harmonia, 2016 -
Renata PugliaCarrinho de Chá Zig, 2007L 101 x A 76 x P 45 cmR$ 6,785.00
Ao completar quatro décadas, podemos afirmar que a Marcenaria Baraúna cumpriu o seu desígnio, colocado lá no seu princípio: o de criar móveis que "resistam ao tempo". Avessa a modismos, buscou na cultura material brasileira os sentidos mais originais para a criação dos artefatos que apoiam o corpo humano, descobrindo-os também como princípios universais. Estabelecida na toada do projeto que se tornou um clássico internacional – a cadeira Girafa, de 1986 –, a Baraúna foi também assertiva em seu nome, ao homenagear uma espécie de árvore nativa brasileira, também conhecida como braúna, que dá uma madeira tão robusta que serviu, em séculos passados, à construção de fundações e de cercas. Usar a matéria prima, portanto, para fabricar objetos fundamentais e duradouros, tal qual os mourões que permanecem na paisagem como modestos testemunhos de delimitações territoriais de outrora.
Como construir um móvel da forma mais simples e honesta?, é a pergunta que se fazem os sócios da Baraúna. Marcelo Ferraz relembra a famosa passagem em que Marcel Breuer vislumbra uma cadeira feita apenas de "colunas de ar em suspensão" para recuperar o ideal que inquieta o design ao qual ele e seus parceiros na marcenaria se filiam. Com o intuito de chegar à "coisa justa" e fazer com o mínimo possível, cada criação da Baraúna revisita ideias arcaicas de um móvel, mantendo a intenção austera dos elementos e soluções encontrados bem antes da separação entre quem produz e quem usa. Por exemplo, o assento baixo, pequeno e fácil de carregar que dá suporte para o sentar de cócoras: conceito ancestral que se materializou no banco indígena e também no “banco caipira” da Serra da Mantiqueira, e que Francisco Fanucci tomou como base para seu projeto de 1988 de mesmo nome.
Ou o conceito de um assento que se apoia ao chão da forma mais econômica e eficiente, em três pontos; havia uma cadeira do Renascimento florentino e havia o moderno banco empilhável do Sanatório de Paimio de Alvar Aalto, mas Lina Bo Bardi, Marcelo Suzuki e Marcelo Ferraz foram capazes de atualizá-lo e adequá-lo a um restaurante que homenageia o Benin. Há também o exemplo da cadeira dobrável feita de ripas intercaladas no encosto e assento que, engenhosamente simplificada, deu na Frei Egídio (1987), e as cadeiras de canto de variados tipos que basearam o desenho da Maria (2015) e sua geometrização absoluta num quadrado circunscrito a um meio círculo, convidando a um sentar na diagonal.
Estes são móveis de arquiteto, enfatizam os fundadores da Baraúna e da Brasil Arquitetura, o que se traduz nos volumes derivados da combinação entre pilares, vigas, planos e vazios. Móveis despidos de artifícios, que gostam de evidenciar sua lógica estrutural, nas curvas substituídas por superfícies retas inclinadas e nos pequenos vãos entre as partes, ao invés de juntas. Linguagem assentada no diálogo constante entre desenho e produção na marcenaria, compartilhada por quem quer que assine os móveis, seja Fanucci, Ferraz, Suzuki ou, mais recentemente, Claudio Corrêa. O sentido do "móvel como arquitetura" é também o seu condicionamento à vida, sobretudo àquela comunitária, com móveis que povoam restaurantes, teatros e bibliotecas, e que nestes lugares demonstram sua plasticidade – quer exemplo melhor que o mobiliário do Sesc Pompeia, que a Baraúna, aliás, passou a reeditar?
As ideias estão no mundo, e para projetar se faz necessário, parafraseando Lina, procurar o porquê das coisas – de tudo aquilo que já inventamos para nós e que ainda nos serve.
